"O administrador da empresa onde foste na segunda-feira elogiou muito o teu texto. Disse que, vindo de uma estagiária, estava muito bom".
Quem me conhece sabe que detesto que me elogiem, aliás, que não lido muito bem com isso.
Mas quem não ficaria contente?
Falta pouco mais de duas semanas para tudo isto acabar e parece que me sinto triste.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Contagem Decrescente
Faz precisamente hoje dois meses desde que comecei o estágio.Dois meses de difícil balanço, de dias cheios e vazios. Mas, sem sombra de dúvida, dois meses de imensa aprendizagem. Às vezes penso que o meu barco é pequeno demais para tanta coisa para a qual comecei a olhar com outros olhos. Tanta coisa que aprendi. Coisas que, ao início, bateram contra a minha cabeça dura de uma forma brusca mas que, depois, foram sendo digeridas aos poucos. Engolidas pouco a pouco e... compreendidas.
Acho que só posso levar coisas boas daqui. Mesmo que, ao início, tenha chegado convencida de muita coisa e me tenha custado aceitar o contrário.
Com dois meses de distância consigo ouvi-las de uma forma mais profunda, compreendê-las com calma.
É o último mês de uma caminhada que, embora por vezes me tenha parecida longa, passou quase a voar. Talvez porque os dias são quase todos iguais: sempre a aprender.
Falta um mês. Começo a contagem decrescente para um futuro que não sei, ou talvez não queira saber, qual será.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Contente é pouco
Hoje o meu editor, Álvaro, disse-me: "Li o teu texto do Inner City" e fiquei muito contente.
Querem saber o tamanho da minha satisfação? Não consigo avaliá-lo.
Querem saber o tamanho da minha satisfação? Não consigo avaliá-lo.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Textos da Anita
Na quinta-feira da semana passada passou-se uma das situações mais embaraçosas desde que estou no Público. O meu editor, Álvaro, pediu-me para o acompanhar junto de uma jornalista que se senta do outro lado da sala. Apresentou-nos e disse-me que, no dia anterior, quando tinhamos estado a corrigir aquele meu texto que mereceu abertura de secção, ela lhe tinha dado "um ralhete por" minha causa. As palavras dele foram estas. E a minha cara deve ter sido de pavor, de confusão de... "porquê?"
"Acho que ele foi muito bruto contigo!", disse-me com ar de clemência a Natália. É fácil imaginar que a minha expressão deve ter passado por uma fase que não sei qualificar. "Oh, não foi nada", disse eu, quase a cair para o lado.
"A Natália acha que eu disse que o teu texto parecia retirado de um livro da Anita", disse-me o Álvaro. "Mas eu expliquei-lhe que utilizei esse exemplo só a propósito de uma frase tua, que achei demasiado infantil, não foi Cristiana?", continuou querendo justificar-se. "Foi, foi só por causa de uma frase", disse eu anestesiada, como se estivesse a ser subornada em silêncio pelo olhar de autoridade do Álvaro.
Convicto de que, ali, a surpreendida era eu e que, afinal, tudo não passou de um mal entendido, o Álvaro saiu de lá e eu permaneci, colada ao chão, a olhar para a Natália, sentada e ainda com o mesmo ar de pena que me fez corar até à raiz dos cabelos. (esta expressão era escusada... eu coro por tudo e por nada, mas enfim).
"Agora a sério... Ele foi bruto. Ele é muito bruto a falar com as pessoas e não podes deixar. Sê bruta com ele também", disse-me ela. Eu, ainda atarantada, disse que "já estava habituada". Não sei se ela percebeu que aquela pequena frase era a explicação para tudo, que não era preciso eu dizer mais nada. Por isso disse-lhe "obrigada", como se ela fosse minha advogada de defesa, e saí.
Quis tanto chorar que nem sabia bem porquê.
Toda a gente da redacção ouve a forma como ele fala comigo (e com os restantes estagiários, penso eu). Já tinha duvidado disso, mas obtive, naquele dia, a confirmação. E doeu tanto...
Continua a doer cada vez que penso nisso. Porque penso na ideia que transparece para as pessoas que o ouvem. Naquele dia permaneceu a ideia de que eu escrevia textos da Anita.
Balanço? ou Balança?
Passou-se mais de um mês e meio desde que cheguei ao Público.
Continuo sem saber bem como qualificar todos os meus dias cá. Ontem o meu pai perguntava-se se acho que gostam do meu trabalho.
Para ser sincera, fica-me a clara sensação de que não gostam. Sou tão pequena e tão ingénua que é pouco provável que possam sequer pensar em apreciar aquilo que faço.
Gosto quando os meus textos saem quase na íntegra na edição impressa sem que sejam quase alterados. Ontem aconteceu isso com dois trabalhos e fiquei contente. A verdade é que quem os corrigiu foi o sub-director. Se, por um lado, ele adopta uma posição superior na hierarquia de cargos do jornal, por outro, temo que o facto de não ter quase alterado nenhuma palavra ao meu texto se possa prender com outras razões que não a qualidade do meu trabalho.
Será que não o fez porque não teve tempo? Será que não valia a pena?
Ou será que, se calhar, quem sabe, até nem merecia alteração?
Também creio que, como sub-director, não queira deixar passar um texto de má qualidade.
Mas tudo isto ainda me faz confusão quando não se obtém qualquer feedback sobre todo este percurso que por aqui faço.
Não consigo fazer um balanço, nem que me peçam. Sinto que ando, por aqui, a balançar...
Continuo sem saber bem como qualificar todos os meus dias cá. Ontem o meu pai perguntava-se se acho que gostam do meu trabalho.
Para ser sincera, fica-me a clara sensação de que não gostam. Sou tão pequena e tão ingénua que é pouco provável que possam sequer pensar em apreciar aquilo que faço.
Gosto quando os meus textos saem quase na íntegra na edição impressa sem que sejam quase alterados. Ontem aconteceu isso com dois trabalhos e fiquei contente. A verdade é que quem os corrigiu foi o sub-director. Se, por um lado, ele adopta uma posição superior na hierarquia de cargos do jornal, por outro, temo que o facto de não ter quase alterado nenhuma palavra ao meu texto se possa prender com outras razões que não a qualidade do meu trabalho.
Será que não o fez porque não teve tempo? Será que não valia a pena?
Ou será que, se calhar, quem sabe, até nem merecia alteração?
Também creio que, como sub-director, não queira deixar passar um texto de má qualidade.
Mas tudo isto ainda me faz confusão quando não se obtém qualquer feedback sobre todo este percurso que por aqui faço.
Não consigo fazer um balanço, nem que me peçam. Sinto que ando, por aqui, a balançar...
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A maior alegria
O dia de ontem foi provavlemente o mais importante ou, pelo menos, o mais recompensador de todo o meu estágio. E surgiu, ironia do destino, precisamente a meio deste percurso de três meses.
Consegui que saisse a reportagem que tanto gostei de fazer. E o editor decidiu abrir o caderno com ela.
Provavelmente vai passar ao lado dos leitores, quem sabe nem os chame à atenção... mas, para mim, foi a maior alegria que me poderiam ter dado.
Consegui que saisse a reportagem que tanto gostei de fazer. E o editor decidiu abrir o caderno com ela.
Provavelmente vai passar ao lado dos leitores, quem sabe nem os chame à atenção... mas, para mim, foi a maior alegria que me poderiam ter dado.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Montanha Russa

Às vezes (não muitas, mas algumas) há quem me pergunte como está a correr o estágio.
Nunca sei o que responder. Não quero dar uma reposta negativa para não transmitir um péssimo feedback de tudo o que acontece cá. Mas a resposta nunca é de tal empolgância que me mostre radiante com a nova experiência.
Talvez o melhor a dizer seja que tudo se trata de uma verdadeira montanha russa. Passo a maior parte dos dias em queda livre, numa experiência emocionante de novas aventuras, novos textos, novas lutas com o limite de caracteres. Com o passar do tempo, a quantidade de trabalhos vai surgindo, a agenda vai tendo um ou outro assunto reservado para mim. Fico contente quando assim é. Gosto de estar ocupada e de desbravar esse caminho sozinha.
Gosto de ter oportunidade de demonstrar aquilo que valho, mesmo que os desafios sejam grandes e por vezes me sinta perdida, pequena, sem capacidades para contornar os obstáculos.
Já chorei, já tive medo. Mas aos poucos a confiança vai-se adquirindo.
Como numa montanha russa em que o medo vai fugindo por debaixo dos carris e à medida que o vento na cara é tal que parece que nos corta a respiração.
Subir e descer como quem procura o infinito. Aguentar as quedas com a força de quem quer subir alto, até atingir o céu.
É assim que enfrento o dia-a-dia. Cada dia como um novo percurso, uma nova aventura, uma tal de subtil confiança.
Mesmo que nunca tenha gostado de aventuras, mesmo que deteste montanhas-russas, mesmo que nunca tenha entrado numa. Quem nelas anda, diz que é assim. E eu acredito. Como gosto de acreditar que, um dia, hei-de estar pronta para encarar esta vida de altos e baixos que o Público me tem dado.
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